AMA II

Lutas e Projetos

Associação das Mulheres do Areia II (AMA II)

Localizada entre os municípios de Trairão e Itaituba, a Associação das Mulheres do Areia II (AMA II) vive conectada à Floresta Nacional do Trairão, Reserva Extrativista do Riozinho do Anfrísio e ao Parque Nacional do Jamanxim. Junto a outras áreas protegidas contínuas, este vasto território que abrange 28 milhões de hectares, é 2º maior corredor de biodiversidade do Brasil.

AMA II

Apesar da fundamental importância deste mosaico na manutenção da biodiversidade amazônica e consequentemente, no equilíbrio climático global; este território vem sendo sucessivamente saqueado e violentado. A expansão do agronegócio e da intensificação do comércio ilegal de madeira, dados do Imazon apontam que mais de 10 mil quilômetros de mata nativa foram destruídos em 2021, um crescimento de 29% em relação a 2020.

E o número de assassinatos relacionados a conflitos fundiários e madeira na região ultrapassaram a assustadora marca de 20 nos últimos 10 anos.

É neste território de constante violações de direitos socioambientais que um grupo de mulheres organizadas e determinadas reafirmam que um outro modo de vida é possível. Representam, na prática, a esperança de que ainda podemos, em equilibro com a natureza, construir um mundo mais justo e livre para todas e todos.

A Presidente da Associação das Mulheres do Areia II (AMA II), Osvalinda Pereira é uma reconhecida defensora ambiental. Seu trabalho desde 2010 desperta a fúria de redes criminosas envolvidas com a extração ilegal de madeira. O Pará é um estado brasileiro com alto índice de desmatamento. Para se ter uma ideia, de acordo com Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), dos nove estados que formam a Amazônia Legal brasileira, o Pará registrou quase a metade de todo o desmatamento verificado entre agosto de 2019 e julho de 2020. O Estado somou 5.192 km² de devastação neste período, um aumento de 34,4% se comparado ao mesmo período da temporada anterior (2018/2019).

Osvalinda e seu companheiro Daniel Pereira são vistos como uma ameaça aos interesses de quem lucra com a destruição ambiental. Jurados de morte, em 2018, o casal foi surpreendido ao chegar em casa e encontrar no quintal duas sepulturas cavadas com cruzes e seus nomes. Para preservar suas vidas tiveram que deixar a região e permaneceram por um ano e oito meses no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) do governo federal.

De volta ao Trairão desde agosto de 2020, o casal agora conta com uma medida protetiva do Estado. Mas a segurança não é plena.

O que a defensora de direitos humanos e ambientais quer é capacitar a comunidade do PA Areia para que cultivem alimentos em seus próprios terrenos, como forma de subsidiar evitando ter que trabalhar madeireiros, destruindo a floresta, em condições análogas à escravidão.

“Nossa luta é essa, trabalhar para fortalecer agricultoras e agricultores que são muito pobres, não tem ajuda, financiamento, não tem como sobreviver. É tentar resgatar os agricultores para a possibilidade de trabalharem a terra. Meu sonho é ver meus companheiros tendo fartura em suas casas. Meu sonho é resgatar esses agricultores para que eles vejam que a terra deles é produtiva e tem gente pra ajudar.”

Oswaldina na floresta

O Instituto Maíra é parceiro da Associação das Mulheres do Areia II e desde agosto de 2020 tem auxiliado Osvalinda na implementação de estratégias de segurança e no fortalecimento institucional na perspectiva da concepção de projetos de empoderamento legal e agrofloresta.

Em parceria com a ONG Justiça Democrática, buscamos garantir que os direitos da defensora sejam cumpridos de forma a garantir sua permanência e seu modo de vida e trabalho em seu território.

A AMA II é uma poderosa semente e caminhamos juntos para multiplicar o modo de vida sustentável de Osvalinda.